quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Reciclagem de Pet
".....olhando a realidade de novas maneiras....."
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
A geografia da água
Esse artigo é de agosto/2009, mas cada dia mais atual!! É longo, mas sua leitura mostra bem o que está sendo preparado para um futuro muito próximo para Gaia. Infelizmente.
A divisão de águas sino-indianas
Os dois países entraram em uma era de escassez constante de água
Os dois países entraram em uma era de escassez constante de água
14/08/2009 Os projetos e planos da China são um lembrete de que o Tibete está no centro da divisão entre os dois países À medida que China e Índia ganham peso econômico, atraem cada vez mais atenção internacional, na esteira da transferência em andamento de poder de influência mundial para a Ásia. Suas rivalidades e dissonâncias estratégicas encobertas, no entanto, normalmente atraem menos olhares. Enquanto seu poder cresce, a China parece determinada a conter os concorrentes asiáticos, uma tendência refletida no endurecimento de suas atitudes em relação à Índia. Inclui-se nisso o patrulhamento agressivo pelo Exército de Libertação Popular da contestada fronteira himalaia, diversas violações da linha de controle que separa os dois gigantes, um novo estilo mais arrojado em relação ao Estado de Arunachal Pradesh, no noroeste da Índia - que a China reivindica como seu - e ataques injuriosos contra a Índia na mídia chinesa de controle estatal. As questões que dividem a Índia e a China, entretanto, vão além de disputas territoriais. A água vem tornando-se uma questão-chave de segurança nas relações sino-indianas e uma possível fonte de uma discórdia duradoura. China e Índia já possuem economias enfrentando problemas de água. A disseminação da agricultura irrigada e das indústrias de uso intensivo de água, somada às demandas da crescente classe média, levou a uma disputa acirrada por mais água. De fato, os dois países entraram em uma era de escassez constante de água, que, em pouco tempo, deverá igualar-se aos problemas encontrados no Oriente Médio, em termos de disponibilidade per capita. O forte crescimento econômico poderia desacelerar-se diante de uma escassez mais grave, caso a demanda por água continue a aumentar no atual ritmo frenético, tornando China e Índia - ambos exportadores de alimentos - grandes importadores, o que acentuaria a crise alimentar mundial. Embora a Índia tenha mais terra cultivável que a China - 160,5 milhões de hectares em comparação a 137,1 milhões - a fonte da maioria dos rios indianos importantes é o Tibete. As vastas geleiras nos platôs tibetanos, imensos mananciais subterrâneos e a alta altitude fazem do Tibete o maior depósito de água doce no mundo, depois das calotas polares. Na verdade, todos os rios importantes da Ásia, com exceção do Ganges, originam-se no planalto tibetano. Mesmo os dois principais afluentes do Ganges vêm do Tibete. A China agora busca levar adiante grandes projetos de transferência de água entre diferentes rios e bacias no platô tibetano, que ameaçam diminuir os fluxos de rios internacionais na Índia e outros Estados que compartilham os rios. Antes de tais projetos de hidroengenharia plantarem as sementes de conflitos sobre a água, a China precisa desenvolver com os Estados cujos rios estão em partes mais baixas acordos institucionalizados de cooperação sobre os rios e bacias. Barragens, represas, canais e sistemas de irrigação rio acima poderiam servir para transformar a água em uma arma política que poderia ser brandida abertamente em uma guerra ou de forma sutil em tempos de paz para sinalizar descontentamento com um Estado que compartilhe rios. Mesmo a recusa de conceder dados hidrológicos em temporadas de importância crítica poderia caracterizar-se como uso da água como ferramenta política. As inundações repentinas nos últimos anos em dois Estados indianos fronteiriços - Himachal Pradesh e Arunachal Pradesh - serviram como duro lembrete da falta de compartilhamento de informações da China em relação a seus projetos rio acima. Tal influência poderia, por sua vez, levar um Estado rio abaixo a desenvolver sua capacidade militar para ajudar a contrabalançar essa desvantagem. De fato, a China vem represando a maioria dos rios internacionais que saem do Tibete, cujo frágil ecossistema já está ameaçado pelo aquecimento climático mundial. Os únicos rios sem obras de hidroengenharia até agora são o Indo, cuja bacia ocupa principalmente a Índia e Paquistão, e o Salween, que flui para Mianmar e Tailândia. As autoridades locais na província de Yuannan, contudo, estudam represar o Salween rio acima, uma região propensa a terremotos. O governo da Índia vem pressionando a China por transparência, maior compartilhamento de dados hidrológicos e o compromisso de não redirecionar o fluxo natural de qualquer rio nem reduzir o fluxo de água entre fronteiras. Mesmo o mecanismo conjunto de especialistas - criado em 2007 meramente para a "interação e cooperação" de dados hidrológicos - mostrou-se de pouco valor. A ideia mais perigosa sendo contemplada pela China é o redirecionamento para o norte do rio Brahmaputra, conhecido como Yarlung Tsangpo pelos tibetanos, mas que a China renomeou de Yaluzangbu. É o rio mais alto do mundo e também um dos que tem correnteza mais rápida. O desvio das águas do Brahmaputra para o rio Amarelo, morto de sede, é uma ideia que a China não discute em público, porque o projeto implica na devastação ambiental das planícies do nordeste da Índia e leste de Bangladesh e, portanto, seria equivalente a uma declaração de guerra pela água contra a Índia e Bangladesh. Apesar disso, um livro publicado em 2005 sob benção oficial, "Tibet's Waters Will Save China" (algo como, "As Águas do Tibete Salvarão a China", em inglês), defende abertamente o redirecionamento para o norte do Brahmaputra. O desejo chinês de desviar o Brahamaputra empregando "explosões nucleares pacíficas" para construir um túnel subterrâneo por meio dos Himalaias encontrou voz nas negociações internacionais em Genebra, em meados dos anos 90, no Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBT, na sigla em inglês). A China tentou, sem sucesso, eximir as explosões nucleares pacíficas do tratado, que ainda não foi colocado em vigor. A questão não é se a China redirecionará o Brahmaputra, mas quando. Uma vez que as autoridades completem seus estudos de viabilidade e o plano de desvio for iniciado, o projeto será apresentado como fato consumado. A China já identificou a curva onde o Brahmaputra forma o cânion mais longo e profundo do mundo - logo antes de entrar na Índia - como ponto de desvio. As ambições chinesas para canalizar as águas tibetanas para o norte são estimuladas por dois fatores: a conclusão da Hidrelétrica das Três Gargantas, que apesar das evidentes armadilhas ambientais do projeto, a China alardeia como maior feito da engenharia desde a construção da Grande Muralha; e o poder do presidente do país, Hu Jintao, cujo histórico funde dois elementos-chave - a água e o Tibete. Hu, hidrólogo de formação, deve sua rápida ascensão na hierarquia do Partido Comunista à repressão por meio de uma lei marcial brutal que promoveu no Tibete em 1989. Os projetos e planos de hidroengenharia da China são um lembrete de que o Tibete está no centro da divisão entre Índia e China. O Tibete deixou de ser um amortecedor político quando a China anexou-o há quase 60 anos. O Tibete ainda pode ser uma ponte política entre China e Índia. Para que isso ocorra, a água precisa tornar-se uma fonte de cooperação, não de conflito. Brahma Chellaney é professor de Estudos Estratégicos no Center for Policy Research, em Nova Déli. © Project Syndicate/Europe´s World, 2009. www.project-syndicate.org http://www.valoronline.com.br/?impresso/opiniao/96/5762803/a-divisao-de-aguas-sinoindianas |
domingo, 24 de janeiro de 2010
Egrégora e Inconsciente Coletivo

sábado, 23 de janeiro de 2010
Entre a Utopia e o Caos
Aquecimento Global: Onde está a verdade?
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Tem coisa que é melhor conhecer os 2 lados da moeda.
Particularmente, não tenho nenhuma opinião formada ainda.
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"Não existe aquecimento global",
diz representante da OMM na América do Sul
Por Carlos Madeiro Especial para o UOL Ciência e Saúde
11/12/2009
Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.
O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.
UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.
UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.
UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.
UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.
UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.
UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.
UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.
UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.
UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.
UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.
UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.
UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.
UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.
UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.
UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.
UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.
UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.
UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.
Vejam também a discussão do tema no Canal Livre da Band em 6 partes:
http://www.band.com.br/canallivre/videos.asp
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Civilização Desconhecida encontrada na Amazônia
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domingo, 17 de janeiro de 2010
La Belle Verte
Este é o primeiro de 12 pequenos filmes que formam o conjunto da obra "La Belle Verte". Trata-se de um filme francês com um humor leve e agradável.
Trata da questão ambiental de forma direta e simples.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Pandora ou Gaia?
Por que não uma síntese? Afinal é assim que somos, nem totalmente bons nem inteiramente maus. Mas uma mescla saudável.
Avatar mostra que é possível observar a unidade entre todos os seres vivos, vegetais e animais e desfrutar dessa beleza.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Olho em volta e vejo apocalipses*
Tenho alma de saci. Gosto do cheiro da terra molhada e do café recém coado. Também gosto de cismar e de perambular descalça enquanto organizo o alfabeto da minha alma. Às vezes ouço Carmina Burana e choro.
Nessas andanças, olho o rio que corta minha cidade e vejo que ele pede socorro. Vejo uma natureza doente, gerando desequilíbrio, mortes e desastres "naturais" - aquecimento, furacões, terremotos, enchentes e desertificação.
Mas o ambiente que percebo adoecido não é apenas o natural. Há muitos outros.
Uma sociedade doente e desigual, que banaliza a violência e atira suas crianças nos córregos ou pelas janelas, escraviza seus animais, atropela e mata de fome ou de obesidade mórbida.
Uma economia doente com seu consumismo desenfreado, inflação e miséria – um mundo em que menos de 20% das pessoas detém 80% da riqueza.
Uma escola doente com baixo aprendizado, evasão, desvalorização da autoridade do professor e "bullying".
Uma família doente com pais ausentes que terceirizam o afeto e a atenção, para a escola, a babá ou a TV.
Uma empresa doente que gera concorrência desleal, assédio moral, boicotes e lucro pelo lucro.
Uma política doente em sua busca insana de poder, corrupção e total falta de ética.
Uma cultura doente com guerras, alienação, terrorismo, inversão de valores, solidão e desejos descartáveis.
O indivíduo doente refletindo seu desequilíbrio ao seu redor e a natureza e cultura devolvem essa desarmonia como numa sala de espelhos sinistra.
Estamos olhando apenas nosso reflexo no espelho. Sendo assim, o rio da minha cidade é apenas o reflexo do sangue intoxicado de alimentos artificiais, agrotóxicos e conservantes que correm pelas veias e artérias dos seus habitantes. Na falta de árvores de suas matas ciliares há os sacos de lixos em suas margens e toda a feiúra do que um dia foi pura vida.
Profanamos a natureza e ela se transformou num inferno que nos aprisiona, mas mesmo assim ainda continua sagrada.
Embora a destruição tenha se profissionalizado, nossa reação continua sendo amadora, mas isso não me tira a esperança que ainda temos tempo de caminhar para uma biosociedade e uma ecopolítica.
Ecologia não diz respeito apenas ao ambiente, é também social e pessoal. É filosofia, espiritualidade, ética e respeito. É uma consciência, uma nova percepção.
Uma omissão seria letal. Pensar fora da gaiola é fundamental.
No meio desse descompasso nada mais nos resta do que ter atitudes conscientes e trabalhar por um meio ambiente mais inteiro.
A cantata de Carl Orff segue ecoando em minha alma e me servindo de inspiração, com seu conceito medieval e orgânico dos eternos ciclos de mudança na natureza e em nossas vidas.
Penso que ela sugere uma busca de equilíbrio do cosmo, onde o bem certamente não exista sem o mal, mas justamente aí é que está sua grandeza; sem o profano o sagrado não se manifesta e à destruição segue-se um ciclo de reconstrução. É nessa oscilação que se encontra nossa beleza e nosso destino de continuar acreditando que a Roda da Fortuna logo, logo vai girar e trazer novamente a pureza do ambiente.
Precisamos criar boas histórias para contar aos herdeiros da Terra.
Não escrevemos nosso passado, mas nossas atitudes de hoje podem construir as memórias de um futuro mais sustentável e saudável para todos os seres vivos.
* Texto premiado no concurso literário de crônicas Astra cujo tema era "Quando o meio ambiente fala, o que você ouve?


